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O Desafio Solar Mundial é uma competição bienal que reúne veículos solares de competidores de todo o mundo. Ganha quem completar primeiro um trajeto de 3 mil km em três dias. Da corrida deste ano participaram 38 equipes de 19 países com veículos capazes de alcançar 90 km/h.

O holandês Nuon 4, carro vencedor este ano, tem a superfície totalmente coberta por células fotovoltaicas, que ligadas eletronicamente são chamadas de painéis solares. “O painel colhe a luz e um coletor a transforma em elétrons em movimento, que gera a energia para girar o motor e recarregar as baterias”, explica Vinicius de Moraes, chefe da equipe USP Solar, da Universidade de São Paulo.

A capacidade de armazenamento varia de acordo com o veículo. O painel do Nuon 4 tem 1.200 watts, mas havia veículos com até 2.000 W. “Mesmo de noite o carro pode funcionar. É pra isso que servem as baterias. O melhor horário é entre meio-dia e 14h, quando a incidência de raios solares é maior e, além de gerar energia instantânea, recarrega as baterias. Brinco dizendo que a autonomia é infinita”, diz Moraes.

Motor
Ao abrir o “capô” de um desses modelos, uma surpresa: o motor é do tamanho de uma bola de basquete e não utiliza óleo ou água. São apenas seis circuitos elétricos interligados. “Como não há combustão, não existe combustível. Não é preciso radiador nem motor de partida ou tomada para reabastecer. É totalmente ecológico”, afirma Moraes.

Toda essa tecnologia faz o motor gerar 3 cv de potência. Mas engana-se quem pensa que isso é pouco. “Como os carros são leves e o motor consegue utilizar toda a energia absorvida pelo painel, eles são muito rápidos. Só que como o torque é baixo pode haver dificuldade em subir ladeiras.”

O técnico da USP diz que esse tipo de veículo deve demorar para chegar às lojas. “São voltados para competição. O que fazemos é exportar o conhecimento e o conceito dessa tecnologia para os carros de passeio. A GM, por exemplo, que ganhou a primeira edição da competição, em 1987, foi a pioneira a desenvolver um carro elétrico no mundo, o EVU. A Honda também participou alguns anos e criou modelos híbridos. É como uma Fórmula 1, um laboratório de idéias”, diz Moraes.
notícia: Jornal da Tarde / fotos: Flickr



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